Dica do Mês: (livro) Sapiens – Uma Breve História da Humanidade

Bruno Marinho de Sousa

Sapiens – Uma breve história da humanidade

Sapiens

O livro: Sapiens – Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari é um best-seller. Eu lia muitas notícias sobre o livro, sabia do que se tratava, mas nunca o havia pegado para leitura. No fim do ano passado fui para essa empreitada. E não me arrependi. Achei a forma como o autor expõe suas ideias e a forma de escrever bem fluídas e tranquilas de acompanhar. Vamos ao livro.

A história da Humanidade

O livro é um ensaio que cria o cenário histórico-cultural de 70 mil anos de nossa existência enquanto espécie. E fez isso em 460 páginas. E fez muito bem isso. Pela leitura é possível tanto entender as fases da evolução do ser humano, quanto da sociedade e cultura. As informações dadas possuem base científica (ele cita vários estudos) e, claro, também dá suas hipóteses.

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Imagem: Medium

É uma leitura bem tranquila e agradável. O livro é dividido em 5 Partes:

  1. Revolução Cognitiva;
  2. A Revolução Agrícola;
  3. A Unificação da Humanidade;
  4. A Revolução Científica;
  5. Epílogo: O animal que se tornou um deus.

Na Parte 1 o autor contextualiza a condição do Homo Sapiens em seu surgimento, como apenas mais uma espécie da natureza. E aos poucos vai introduzindo como a capacidade intelectual foi modificando a forma como ele interagia com o seu ambiente, se diferenciando dos outros animais. Aqui ele ainda aponta que o Sapiens começou a “sumir” com as outras espécies concorrentes (ex., Neandertais). A criação de ferramentas e o conhecimento da natureza foram fundamentais para o desenvolvimento da espécie.

Na Parte 2 já trata da Revolução Agrícola. No geral nos é contado que isso foi bom para a humanidade, que nos fez “evoluir” mais. Mas o autor tem uma ótima passagem sobre como isso impactou a humanidade:

Não há indícios de que as pessoas tenham se tornado mais inteligentes com o tempo. Os caçadores-coletores conheciam os segredos da natureza muito antes da Revolução Agrícola, já que sua sobrevivência dependia de um conhecimento íntimo dos animais que eles caçavam e das plantas que coletavam. Em vez de prenunciar uma nova era de vida tranquila, a Revolução Agrícola proporcionou aos agricultores uma vida em geral mais difícil e menos gratificante que a dos caçadores-coletores. Estes passavam o tempo com atividades mais variadas e estimulantes e estavam menos expostos à ameaça de fome e doença. A Revolução Agrícola certamente aumentou o total de alimentos à disposição da humanidade, mas os alimentos extras não se traduziram em uma dieta melhor ou em mais lazer. Em vez disso, se traduziram em explosões populacionais e elites favorecidas. Em média, um agricultor trabalhava mais que um caçador-coletor e obtinha em troca uma dieta pior. A Revolução Agrícola foi a maior fraude da história.

Interessante esse ponto de vista, não? O autor ainda conclui: “As plantas domesticaram o Homo sapiens, e não o contrário.” Bom, não? E não se engane achando que o autor está jogando suas opiniões, ele cita fatos, estudos que corroboram seu pensamento. Por isso o livro é interessante, nos coloca para pensar nessas relações entre o ser humano e o seu meio.

Na Parte 3 ele já aponta como a humanidade se uniu. Nessa parte o que achei mais interessante é como ele trabalha a ideia do dinheiro. O dinheiro (a nota e a moeda sem si) não tem valor. Quer dizer, tem um valor irrisório. Mas o sistema de crenças que a humanidade criou em cima dele transpôs os abismos culturais, religiosos, de gênero, idade e até geográficos. Seria uma espécie de crença universal, pois o dinheiro tem um valor simbólico ou agregado a ele. Ainda aponta a capacidade de cooperação da humanidade em nível global, diferentemente de outros animais que cooperam apenas em pequenos grupos.

 

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Imagem: siskiyouscifest

Na Parte 4 temos a Revolução Científica. Aqui a análise também é excelente. A ciência evoluiu para melhorar a capacidade dos Impérios, por exemplo, na produção de armas. Assim havia investimentos na ciência para isso. E até hoje grandes investimentos foram e são feitos no desenvolvimento bélico (bomba nuclear, drones…).

A ciência depende de um processo colaborativo de criação coletiva. Temos os grandes cientistas com Isaac Newton, Galileu, Darwin, mas depende de muitas pessoas. Uma pessoa no Japão faz uma pesquisa que pode ser questionada no Brasil. Um brasileiro pode realizar um estudo que pode ser ampliado na Holanda. E assim o conhecimento vai se ampliando.

Epílogo: aqui o autor se solta mais e analisa a nossa atualidade. Até aponta que os avanços são tão grandes que podemos até nos tornar outra espécie. Pode parecer exagero, mas esse mês um cientista chinês foi condenado por ter criado bebês geneticamente modificados. Ainda temos o lado dos objetos tecnológicos. Hoje nossos celulares são parte da nossa vida, quem sabe num futuro não nos tornamos híbridos de máquinas e humanos, aumentando nossas capacidades?

Acha exagero? Hoje diversos cientistas estão trabalhando com interface cérebro-máquina. Um exemplo bastante divulgado foi o do brasileiro Miguel Nicolelis durante a Copa do Mundo no Brasil, em que uma pessoa paraplégica conseguiu dar o pontapé inicial usando uma máquina controlado pelo seu cérebro! (Leia mais aqui). Ou leia essa outra reportagem sobre um braço robótico:

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Imagem: Braço robótico controlado pelo cérebro. Fonte: Galileu

 

Os pontos que achei mais interessantes

O que mais chama atenção no texto é que autor utiliza a Macro História, que busca entender a interligação dessa área com outros campos do conhecimento, como a Biologia, Psicologia, Filosofia (por exemplo, ele trata de felicidade) e etc.

Uma das partes que mais gostei é quando o autor destrincha nossa relação com o dinheiro. Segundo o autor, essa relação é toda baseada na crença que temos sobre seu valor.

E outro ponto é a comparação entre o estilo de vida do caçador-coletor e do agricultor (esse trabalhando mais que o anterior).  E, também, a forma como a ciência evoluiu conforme os interesses dos impérios. E essa relação mudou drasticamente as sociedades. Por exemplo, você está lendo esse texto num equipamento que é produto de um trabalho acumulativo e de várias pessoas (tela, bateria, processador e etc. ).

O autor

Vicens Giménez - El País

Yuval Noah Harari (1976 – ) é professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, fez seu doutorado na Universidade de Oxford (Reino Unido). É vegano (se tornou depois de escrever o livro), pratica meditação e, segundo ele, não possui smartphone. Seu livro foi inspirado nos seus estudos para um curso introdutório sobre História Mundial.

Uma curiosidade é que seu livro será adaptado ao cinema por Ridley Scott. Na foto ele está com Pengo, seu cachorro resgatado das ruas.


Gostou? Compre o livro aqui:

Sapiens – Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari. Trad. Janaína Marcoantonio. L&PM, 2015.

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