Comunicado: Psicologia e Coronavírus

Bruno Marinho de Sousa

O mundo está em polvorosa devido a nova doença que surgiu, o Coronavírus – Covid-19. Um dos maiores problemas com essa nova doença é que por se tratar de um vírus, ela se espalha bastante rápido no mundo cheio de viagens e contatos com pessoas de diferentes nacionalidades.

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Imagem: O Globo

Ela passou de epidemia para pandemia. Isso quer dizer que saiu de um surto regional para nível global, com diferentes continentes atingidos. E como não somos especialistas em epidemiologia, podemos reagir de diferentes formas. No nosso país ainda o conhecimento científico é pouco divulgado pela grande mídia e, pior, desmerecido pelas autoridades.

Então do ponto de vista psicológico o problema maior é lidar com o imaginário das pessoas. Qualquer tosse, espirro, ou sinal percebido ou real pode se transformar no gatilho para a pessoa se preocupar. Isso em nós mesmos ou nós outros. E por não conhecer a doença, as pessoas podem reações desesperadoras de medo e ansiedade.

Alguns exemplos foram mostrados na mídia, como pessoas brigando por papel higiênico, para estocar e num voo, em que uma passageira tossiu numa comissária de voo. Leia a reportagem aqui: BHAZ. Em outros casos as pessoas menosprezam a doença ou a preocupação das pessoas, como o passageiro que tossiu por brincadeira num voo e o mesmo teve que voltar (leia aqui).

Agora vamos a exemplos possíveis e práticos. Nosso sistema de saúde será que está preparado para lidar com essa pandemia? O SUS terá recursos? E se muitas pessoas começarem a procurar os serviços de saúde por estarem com sintomas compatíveis, como serão recebidas pela equipe de saúde? Como isso será organizado? Leia mais sobre isso aqui: Humanização do caos: intervenções da psicologia hospitalar frente ao coronavírus. A raiva é uma emoção muito possível, e muitas pessoas juntas com raiva não é algo fácil de lidar.

Como lidar com seu medo e ansiedade

A ansiedade pode deixar as pessoas obsessivas sobre o assunto, lendo notícias, assistindo jornais, falando muito sobre o assunto. Pode afetar o sono, deixar a pessoa em alerta constante sobre os sinais da doença.

Então se estiver assim, se questione sobre seu comportamento: como eu sei que esse pensamento é verdade? Com base em quê fico tão preocupada (o)?

Para ajudar ainda mais, não confie em correntes enviadas por aplicativos, no “ouvir dizer”, na pessoa não especialista, muito menos menos em notícias catastróficas vindas de sites pouco confiáveis ou conhecidos. Melhor ainda: apenas leia e assista jornais de grande circulação. A maioria dos jornais impressos liberou o acesso às notícias sobre o Coronavírus.

Evite as Fake News. Alguns jornais e sites com matérias confiáveis sobre a doença:

Se você está com suspeita real da doença, ou já tem o diagnóstico confirmado, siga fielmente as orientações da equipe de saúde. Tire suas dúvidas com essas pessoas, não na internet!

Na prática

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Imagem: Conselho Federal de Psicologia.

O Conselho Federal de Psicologia lançou um comunicado aos psicólogos em seu site. Algumas delas são óbvias, como seguir as recomendações do Ministério da Saúde e Secretarias de Saúde, bem como outras autoridades responsáveis.

Outras recomendações são de ordem prática: prestar o serviço em local ventilado, não fechado, com uma distância de 2 metros entre o psicólogo e cliente. E não houve orientação para interrupção das atividades.

Mas talvez a recomendação mais importante para quem já está em atendimento presencial é: existe a opção do atendimento on-line. Para isso basta que o psicólogo siga as orientações da Resolução CFP nº 11/2018.

Se tiver dúvidas sobre o Atendimento On-line, leia: Atendimento Psicológico Online funciona?

E, claro, se valer das medidas de prevenção:

O CFP reforça, ainda, as recomendações da OMS sobre medidas de prevenção, tais como:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão;
  • Usar antisséptico de mãos à base de álcool gel 70%;
  • Ao tossir ou espirrar, cobrir boca e nariz com a parte interna do cotovelo, evitando usar as mãos;
  • Optar por lenços descartáveis;
  • Manter os ambientes ventilados, com janelas abertas;
  • Caso apresente os sintomas, procurar os serviços de saúde.”

Atualização 17/03/2020:

O CFP permitiu a todos os psicólogos realizar o atendimento on-line, mesmo que não sejam cadastrados. Essa era uma exigência e levava um tempo até a pessoa ser aprovada. Mas existe uma regra importante a ser adotada:

“Lembramos, ainda, que é inadequado o atendimento psicológico on-line de casos que necessitem de intervenções por profissionais e equipes de forma presencial como, por exemplo, pessoas e grupos em situação de urgência e emergência. Além disso, é vedado o atendimento on-line de pessoas e grupos em situação de emergência e desastres, bem como, em situação de violação de direitos ou de violência.”

 

 

 

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