Origem e breve História da Psicologia

Bruno Marinho de Sousa

Há alguns séculos os pensadores e cientistas não imaginavam ser possível estudar a mente ou a psique humana, isso era considerado inacessível. Mas cientistas da futura Alemanha1 começaram a ir na direção oposta desse pensamento. Fundaram e definiram o campo do conhecimento conhecido como Psicofísica.

A Psicofísicaestuda a relação entre os estímulos físicos (por exemplo, a luminosidade de uma sala, o peso de um objeto) e a experiência sensorial, isto é, uma dimensão psicológica (quão clara a sala está e quão pesado é o objeto para você)” (leia mais no blogPercepto).

Isso foi no século XIX, sendo os principais nomes: Ernst Heinrich Weber, Gustav Theodor Fechner e Wilhelm Wundt (respectivamente da esquerda para a direita na figura abaixo). Fechner, em 1850, lançou um livro chamado “Elementos de Psicofísica”. Esse livro, seus estudos e outros escritos foram importantes para o desenvolvimento do conhecimento em Psicofísica e de Wundt.

weber fechner wundt.jpg

Wundt é muito importante para o que vou falar para vocês. Mas antes quero deixar claro que a Psicofísica é anterior a Psicologia. E a chance de você conhecê-la é grande. Se já fez algum exame de acuidade visual (o exame “de vista”) ou um teste audiométrico com alguém da fonoaudiologia, você já passou por um procedimento psicofísico. Então provavelmente já teve contato com ela, apenas não sabia o nome, não é?

Dessa forma, a Psicofísica forneceu as bases científicas para acessar a “mente” humana por meio de métodos científicos, assim como as outras ciências.

Agora chegamos no ponto importante. Wundt fundou seu laboratório de estudos em 1879 (Psychologische Institut), na Universidade de Leipzig. E esse foi considerado o primeiro laboratório de Psicologia, fundando oficialmente a Psicologia enquanto ciência.

Como você pode notar, a Psicologia é uma ciência jovem. Por isso existe muita confusão e preconceito sobre o que é o que não é Psicologia. Por exemplo, você já deve ter ouvido falar de Psicanálise, certo? Mas sabia que ela foi formulada alguns anos depois de Wundt fundar seu laboratório?

sigmund_freud_lifeA Psicanálise foi desenvolvida por um médico em Viena (Áustria), chamado Sigmund Freud (o famoso do charuto na mão). A Psicanálise foi mais uma forma de se estudar a mente. Para isso Freud criou um método próprio. Você pode ler mais aqui. A psicanálise não fazia parte da Psicologia, mas foi incorporada nos cursos de Psicologia com o passar dos anos.

Com o crescimento e popularização da Psicanálise, houve um movimento de oposição ao seu uso. Essa oposição ocorria (e ocorre) principalmente por ela não se valer dos métodos científicos inicialmente propostos pela Psicofísica e outras ciências. Essa oposição ficou clara quando um cientista americano, John B. Watson,  lança um “Manifesto Behaviorista”, em 1913 (behaviorismo pode ser traduzido como comportamentalismo).

Uma das ideias básicas do Manifesto era retomar e valorizar os métodos experimentais. Grosso modo,  utilizar os métodos científicos para se estudar a mente, já que a Psicanálise utilizava outros tipos de recursos para formular sua teoria. O Behaviorismo é uma filosofia sobre o comportamento, sendo utilizado como base teórica para diversas abordagens, como a Análise Experimental do Comportamento (leia mais aqui).

skinner-anos-80A Análise do Comportamento cresceu e foi criando seu espaço, utilizando método científicos rigorosos, dando origem inclusive a outras abordagens em Psicologia. O pesquisador mais importante nessa abordagem foi Burrhus Frederic Skinner. Skinner desenvolveu uma vasta literatura em Psicologia, sendo um dos maiores psicólogos do século XX. Numa visão simplista para o texto, a Análise do Comportamento enfatiza a relação entre o organismo (ser humano) e seu ambiente. Ela foi e é uma grande abordagem Psicológica, com excelente resultados para diversos problemas e transtornos psicológicos.

beck.jpgJá na década de 1960, um psiquiatra chamado Aaron T. Beck estava insatisfeito com os resultados obtidos em alguns de seus tratamentos, especialmente com depressão. Ele utilizava a psicanálise, onde não há uma intervenção direta sobre as crenças do cliente. Beck começou a perceber que um método mais diretivo dava mais frutos. Assim, ele começou a testar e desenvolver uma nova forma de trabalho. A partir de seus estudos e pesquisas ele desenvolveu a Terapia Cognitiva, com foco nos pensamentos, emoções e comportamentos. Sendo uma abordagem pragmática e diretiva. O que provoca muitas críticas.

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) surge como uma fusão entre Behaviorismo, Análise do Comportamento e Terapia Cognitiva. Mas sua explicação ficará para depois, pois necessitará de algumas conhecimentos que fogem do objetivo desse texto.

Acho que já dei muitas informações, não é? Resumindo, as abordagens psicológicas que apresentei aqui são apenas algumas das várias que existem. O texto foi apenas para contextualizar quem não é da área da Psicologia sobre um pouco da sua história. Todas as abordagens citadas ainda são utilizadas e ensinadas nas universidade brasileiras.

Para finalizar, atualmente há um movimento que busca uma Prática Baseada em Evidências em Psicologia. Esse movimento é inspirado no que ocorreu na Medicina nos anos 1990. A ideia geral é comprovar os resultados dos serviços prestados. É retirar do profissional a ideia de “eu sempre fiz e deu certo”, para uma “estudos demonstram que isso é melhor”. Assim busca-se uma maior eficácia dos tratamentos oferecidos.


Leia mais:

Artigo Científico sobre Psicologia Baseada em Evidências, da revista Psicologia: Ciência e Profissão.
Textos sobre Psicofísica, no blogPercepto.
Livro História da Psicologia Moderna


  1. Nessa época a Alemanha como país não existia, ela só passaria a existir após a unificação feita por Otto von Bismarck em 1871. O que existia era uma uma federação principados autônomos (como Berlim, Bavária, Saxônia, Hanover…). Isso criou um contexto excelente para o desenvolvimento intelectual, pois todos principados queriam se sobressair investindo em universidades. Fonte: Goodwin, C. J. História da psicologia moderna. São Paulo: Cultrix, 2005. 

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