Bruno Marinho de Sousa
Vivemos em uma sociedade extremamente dependente da ciência e tecnologia, na qual pouquíssimos sabem alguma coisa sobre ciência e tecnologia.
Dica #8: MITOS ACREDITAMOS
A informação que nos chega muitas vezes não é filtrada. Simplesmente acreditamos. Fazemos isso porque ouvimos dos adultos quando éramos crianças. Ou porque ouvimos de supostas autoridades. Ou pior, ouvimos tanto a informação que ela parece não comum que não pode ser mentira (leite com manga faz mal, né?).
Aqui vai uma lista de mitos:
- Usamos apenas 10% do nosso cérebro: baita balela. Usamos tudo que dá do nosso cérebro, não temos 90% dando bobeira. Desmistifique aqui: Mito 1: nós usamos apenas 10% do nosso cérebro;
- A NASA gastou milhões para desenvolver uma caneta, os russos usaram um lápis: discurso de autoajuda dos mais sem vergonhas. Desmistifique aqui: Canetal Espacial, e-farsas
- Vacinas causam autismo: por favor, me diga que não acredita nisso! Não é verdade. Inclusive um grupo antivacina dos EUA bancou uma pesquisa pra provar e se deu mal, não há evidência! Desmistifique aqui: Vacinas não causam autismo: o mais amplo estudo do tema sai na Dinamarca;
- O ser humano veio dos macacos: mais uma balela. Nem na ciência, nem para as religiões isso tem fundamento. Para a ciência o ser humano possui ancestrais em comum, nada de ser um macaco evoluído. Desmistifique aqui: Nós não viemos dos macacos – SuperInteressante;
- Regra dos 5 segundos para a comida que cai no chão: é, tanto faz se é 1 ou 5, fica contaminada do mesmo jeito. Desmistifique aqui: Fact or fiction: the 5 second rule for dropped food – Scientific American;
- Fazer o bebê ouvir Mozart o deixa mais inteligente: seus filhos não ficarão mais inteligentes por ouvir a música dele, só podem pegar gosto por música erudita (tomara). Desmistifique aqui: Mito: Criança que ouve música clássica vira um adulto mais inteligente – SuperInteressante;
- Ensino adaptado a estilos de aprendizado melhora o desempenho dos alunos: é, sinto muito, mas não. Ser mais “visual”, “auditivo” é muito legal para jogar conversa fora, mas na hora de aprender depende mais do conteúdo que do tal “estilo”. Exemplo: como aprender música lendo um livro? Aí sim o estilo faz diferença. Desmistifique aqui: Testing the ATI hypothesis: Should multimedia instruction accommodate verbalizer-visualizer cognitive style? (estudo conduzido por cientistas da Universidade da Califórnia);
- Detox para limpar o organismo: o tal do alimento detox não faz o efeito prometido. Ele te dá uma alimentação mais saudável, mas quem “limpa” seu corpo é ele mesmo (fígado, rins, intestino…). Desmistifique aqui: O Mitodo do Deto – SuperInteressante;
- As fases da Lua influenciam no corte e crescimento do cabelo: quem nunca acreditou nisso. Ainda pra reforçar o mito as pessoas citam as marés. Os cabelos não tem massa suficiente para sofrer influencia da Lua. Desmistifique aqui: É verdade que as fases da Lua influem no corte de cabelo?.
Leia outros mitos aqui:
- 58 mitos clássicos em que continuamos acreditando, publicado em El País.
Aplicação prática:
Acreditar em coisas sem validade científica não tem problema. Se quer cortar o cabelo na Lua cheia para ele ficar volumoso, não vai fazer mal a ninguém, você nem vai lembrar disso. O problema é quando os mitos afetam a saúde, a vida das pessoas, como no caso das vacinas e o movimento antivacina.
Então, antes de gastar rios de dinheiro comprando vitaminas, ômega-3, detox, marketing multinível, ou seja lá o que for: busque evidências. Se funciona, deve ter algum estudo, alguém que você confia que pode te explicar melhor. Então a pergunta chave:
Que evidências eu tenho que isso é assim? Que isso funciona?

E leia revistas de divulgação científica, livros, jornais de grande circulação, as referências dos meus textos. E quer uma excelente dica para começar:
- Leia esse livro do Carl Sagan. Possui uma linguagem simples, direta, fala sobre mitos científicos, explica porque são mitos. Parece que ele está conversando com você.
- Compre aqui: O mundo assombrado pelos demônios, Carl Sagan.
Leia as outras dicas:
Leia mais:
Imagem destacada: Revista Galileu
