Dicas para a Quarentena: 07 – MILITÂNCIA NA INTERNET

Bruno Marinho de Sousa

 

É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida (Abraham Lincoln ?)¹

Dica #7: MILITÂNCIA NA INTERNET

Eu vi a popularização da internet. Eu fiz faculdade na época da internet discada. Meu amigo tinha um computador que ficava na sala e a gente se revezava para usar. Tinha que conectar na internet e isso ocupava a linha telefônica. Celulares ficaram populares nesse anos também.

Imagem: MeusVelhosTempos.blogspot.com

Nessa época a internet era algo difícil de mexer, não era tão popular. Em poucos anos ela foi se popularizando, chegando a velocidades assustadoras como 512 kb/s!!! (Lembre-se na discada era uns 50kb/s…). Ou seja, não dava pra perder tempo com textão.

Com o tempo a conexão aumento de velocidade, vieram as redes sociais, as pessoas passaram a dar suas opiniões. Mas por ser novidade, ainda se continham. Por volta de 2013 o ativismo na internet se tornou um fenômeno forte e que veio para ficar². Ainda bem que isso aconteceu.

Só que veio o outro lado. A militância começou a acontecer e o povo perdeu a noção. Militância é a defesa de uma causa, político, partido, ideia, em que as pessoas trabalham ativamente para demonstrar seu ponto (Fonte: Infopedia). Até aqui, ainda tá legal.

Em algum ponto um limite foi ultrapassado. As pessoas não entendem o assunto, não sabem sobre o que é, mas querem dar opinião. O que não tem problema, claro. Mas a partir disso pode começar o problema. As pessoas podem querer que suas opinião tenham o mesmo peso que de especialistas no assunto. O melhor exemplo que temos é o atual cenário político, econômico e da saúde. O coronavírus (covid-10) desencadeou outra avalanche de desinformação e argumentos emocionais.

A epidemia começou na China, virou uma pandemia. Os países do mundo estão tentando lidar com isso. Os governos da Alemanha, França, Reino Unido, Itália (a União Europeia em geral), China e os EUA tentam lidar com isso. A decisão da maioria foi fazer o isolamento social e/ou quarentena, apesar das consequências econômicas. Um problema por vez.

Depois do isolamento os governos desses países foram apresentando os planos econômicos para lidar com a crise econômica. Liberar alguns trilhões de dólares foi uma delas, por exemplo.

Só que a pessoa aqui no Brasil munido de internet, sem ser especialista em epidemiologia, medicina, virologia, economia ou seja lá o que for que tem relação com a pandemia, acha que sabe a resposta. A pessoa acha que sabe mais que todos esses governos que citei. Imagine a Alemanha, um país onde o povo é todo organizado, sério, resolve parar porque não pensaram direito, foram emotivos demais e por um capricho pararam. E o mais interessante é que a Alemanha está errada porque uma pessoa aqui no Brasil acha, sente, que não é assim que deve ser…

Dá pra fazer várias tipos de análises sobre isso, mas vou trazer apenas uma. Vou trazer apenas uma Distorção Cognitiva chamada de Raciocínio Emocional:

Presumir que sentimentos são fatos. ‘Sinto, logo existe’. Pensar que algo é verdadeiro porque tem um sentimento (na verdade um pensamento) muito forte a respeito. Deixar os sentimentos guiarem a interpretação da realidade. Presumir que que as reações emocionais necessariamente refletem a situação verdadeira (Knapp, 2004).

Entendeu? Então a pessoa sente, tem um pensamento muito forte, e acha que o pensamento está certo porque tem uma emoção envolvida. Não tem um argumento lógico, é o sentimento que guia o pensamento. Como tem emoção, sentimento envolvido, a pessoa não consegue simplesmente ouvir ou ler um argumento contrário, ela tem que ir lá e encher o saco, brigar com quem discorda. Agora o ativismo que era legal, ficou chato, vazio. Por que ela faz isso? Por causa do viés de confirmação (leia mais clicando aqui).

Antes de ficar bravo (a), eu estou preocupado também com a questão econômica. Mas para mim é: salvar a vida E cuida da economia. Temos um governo que deve ou deveria lidar com as duas coisas ao mesmo tempo.

Aplicação no seu dia:

Não brigue com seus amigos por causa das opiniões. Dar opinião, palpite é saudável, mas entenda a hora de respeitar a outra pessoa. Ela pode e TEM O DIREITO de ter uma opinião diferente da sua. Não gosta das postagens, pare de olhar, não siga. Meu amigo, o escritor Adriano Rossi usa uma frase muito chata que vale a pena entrar na sua vida:

“Vamos concordar em discordar”

E continue sua amizade, mude de assunto, mande o outro ir à m…, mas tudo na amizade rs. Pare de querer estar sempre certo. No exemplo dado acima, a Alemanha tá certa! (Não concorda? Então vamos concordar em discordar!).

E assista esse vídeo do Canal Epifania Experiência. É excelente e tem tudo a ver com o assunto e foi ele que me inspirou a fazer o texto:

 

Leia as outras dicas:


Leia mais:

¹ Não achei uma fonte confiável para o autor da frase.

² Entenda melhor o surgimento da militância na internet: Como nasceu a militância pela internet livre, Carta Capital.

Imagem destacada: JPNews.com

2 Replies to “Dicas para a Quarentena: 07 – MILITÂNCIA NA INTERNET”

  1. Muito bom! Por mais discursos militantes com propriedade. Mesmo discordando em algo, não há como negar a sua assertividade em expôr suas ideias em consonância com a ciência que é a psicologia.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.