Aprendendo com Estresse

Bruno Marinho de Sousa

Todos nós somos afetados diariamente pelo estresse. Normalmente até várias vezes por dia. Lembre-se que “o estresse é uma reação psicofisiológica e não se refere apenas a situações ruins, se aplicando a coisas boas também”. E ele pode ter causas internas e externas.

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Então o estresse pode ser também mental, não apenas físico. Isso pode nos deixar ansiosos, preocupados demais (com coisas reais ou imaginadas). E, o mais importante, independente da fonte de estresse, ele irá ativar nosso cérebro (por meio de redes neurais) para lidarmos com ele.

Essas redes são compostas por várias regiões cerebrais, como hipotálamo, a glândula pituitária e o córtex adrenal que irão liberar hormônios do estresse (glicocorticoides), sendo um dos principais o cortisol, o “hormônio do estresse“. Esses hormônios terão efeitos diretos sobre a aprendizagem em situações estressantes.

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O estresse nos prepara para enfrentar algum evento que exigirá mais de nós. Então ele tem um papel muito importante em nossas vidas. E o cortisol tem um papel fundamental de preparar o organismo a lidar com o estresse, regular pressão arterial, manter níveis de açúcar no sangue, etc. Ainda, nos ajuda a aumentar a nossa atenção em momentos de estresse ou tensão.

Na dose certa, o cortisol é bom, possuindo dois picos rítmicos, por volta das 8h e das18h. Isso nos ajuda a lidar melhor com as atividades do dia a dia e nos manter despertos, permitindo que o cérebro trabalhe melhor. O cortisol também está envolvido no mecanismo da inflamação.

Mas sob estresse crônico (duradouro), o corpo começa a reagir negativamente. Por exemplo, altos níveis de cortisol são relacionados à depressão. Ainda pode prejudicar a aprendizagem e a memória e provocar degeneração cerebral, o que pode acarretar declínio cognitivo (diminuir capacidade de “pensar”). Alguns estudos mostram que estresse prolongado por 5 anos pode diminuir o volume do hipocampo em até 14%.

O nosso cérebro aprende uma nova maneira de funcionar quando fica constantemente exposto a níveis altos desses hormônios. Aí começam outros problemas também graves. Nós aprendemos com a experiência. E a experiência estressante faz com que os circuitos neuronais aprendam a lidar com um alto nível desses hormônios. O nível antigo já não fará mais efeito.

Exemplo: se você está num relacionamento com muitas brigas ou num emprego com muita cobrança por desempenho, os neurônios “param” de responder como respondiam a essa situação. Dessa forma, os hormônios do estresse que antes traziam benefícios, não mais fazem isso.

Em Psicologia chamamos isso de habituação. Ela acontece quando acostumamos aos estímulos do ambiente, passando a não reagir ou ignorá-los.

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Por outro lado, o organismo se torna sensível a outros estressores. Ele passa a reagir a tudo que não se habituou. Podemos nos assustar facilmente, temos explosões emocionais, uma irritação do “nada” e etc. Quando chegamos nessa fase o efeito já pode ter se generalizado pelo corpo e cérebro. E isso pode ser tão prejudicial a ponto de provocar transtornos mentais, como depressão (já falada), esquizofrenia e síndrome de pânico.

Mas agora você pode estar preocupada (o) com isso. Como tratar o estresse?

Bem, para começar o estresse não é uma doença. “mas uma resposta do organismo a situações desgastantes”. Então o tratamento é mudar o tipo de respostas que nós temos frente ao estresse. Ou seja, mudar nossas respostas aos estressores. O estresse também envolver o sistema límbico, responsável pelas emoções. Por isso é importante também se atentar a elas em qualquer intervenção.

Como o estresse é uma resposta, a forma como você o encara, o interpreta e responde a ele foi aprendida. Assim, a Terapia pode te ajudar, em especial a Terapia ognitivo-Comportamental (TCC).

Agora vai parecer aqueles textos de autoajuda, mas leia as sugestões com senso crítico, certo? A lista completa está aqui. Essas sugestões são fornecidas por Marilda Emmanuel Novaes Lipp, uma das maiores especialistas em Estresse do Brasil:

  • Estratégias educativas: saber o que é estresse, como ele te afeta física e mentalmente…;
  • Estratégias situacionais: eliminar os estressores possíveis, aceitar os inevitáveis, ver o outro lado do estressor…;
  • Estratégias de enfrentamento de efeito duradouro: reconhecer limites e respeitá-los, aprender solução de problemas, aprender a dizer “não”…;
  • Estratégias de enfrentamento para atenuar os sintomas: desligar-se dos problemas por alguns minutos diariamente, usar técnicas de relaxamento, alimentar-se bem, exercitar-se…

Recomendação profissional: não brinque com sua saúde. Se não se sente bem, acha que pode estar sofrendo com estresse ou qualquer outra doença, procure um profissional de saúde. Cuidado com as promessas de “cura” rápida. Não espere muito tempo para isso. Lembre-se que toda doença ou problema pode se agravar com o tempo.


Mais informações:

Imagens: DrSimonSaysScience, Pinterest.

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