Estresse

Bruno Marinho de Sousa

Diariamente você ouve falar que Fulana tá estressada, Beltrano tá estressado, você também deve dizer isso frequentemente. O estresse, junto com as palavras ansiedade e depressão, hoje fazem parte do senso comum. Mas para ciência elas têm significados um pouco diferentes. Nesse texto vou abordar o estresse.

Você sabe o que é estresse?

A palavra estresse tem origem latina, no verbo “stringo” – apertar, restringir, reduzir1. Estresse é:

“é uma reação do organismo, com componentes físicos e/ou psicológicos que ocorrem quando a pessoa se confronta com uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite, amedronte, excite ou confunda, ou mesmo que a faça imensamente feliz.” 1.

Como você pode perceber, o estresse é uma reação psicofisiológica e não se refere apenas a situações ruins, se aplicando a coisas boas também. Mas vamos nos focar nas ruins, pois são elas que prejudicam nossa saúde.

O estresse pode ser breve, temporário ou de grande intensidade. Algumas reações comuns ao estresse são: tristeza, raiva, irritabilidade, surtos e até ganho de peso. As causas do estresse são:

  • Internas: pessoais e relacionadas a nossa personalidade (como enfrentamos o estresse e a vida),
  • Externas: o ambiente em que vivemos (muito ruído, perigos – físicos e psicológicos, etc.).

Ao investigar o estresse, os cientistas inicialmente apontaram 3 fases (alerta, resistência e exaustão). Mas a brasileira Marilda Emmanuel Novaes Lipp realizou novos estudos e estabeleceu 4 fases para o estresse: alerta, resistência, quase-exaustão e exaustão. Essas fases formam o Modelo Quadrifásico do estresse. Vamos entender cada uma delas:

  1. Alerta: surge algum estressor (provocador de estresse, como um problema) no seu ambiente, na sua vida, que produz tensão, seu corpo se prepara para agir, para “lutar ou fugir”. Ocorrem alterações fisiológicas, como taquicardia, sudorese, tensão muscular, padrão de respiração pode mudar e etc. Se o estressor não é eliminado (ou o problema não é resolvido), entramos na próxima fase.
  2. Resistência: aqui o estressor permanece e gastamos energia para tentar nos adaptar a ele, buscando um novo equilíbrio. Se não consegue, se o estressor continua agindo sem uma estratégia que resolva isso, a nossa energia vai acabando e começamos a ter a sensação de desgaste, de estarmos sempre cansados. Podem surgir problemas de memória, sono ruim (não restaurador). Se o estresse continua, chegamos na terceira fase.
  3. Quase–exaustão: se chegou até essa fase, seu organismo não conseguiu se adaptar, resistir já se enfraqueceu devido ao estresse. Algumas doenças “oportunistas” podem aparecer devido ao enfraquecimento do sistema imunológico, como seborreia, psoríase, herpes e até mesmo alguns fases de hipertensão. Aqui ainda é possível trabalhar e ter vida social, mas a qualidade de vida está afetada. Se o estresse persiste, entramos na última e mais grave das fases, a exaustão.
  4. Exaustão: aqui o sistema imunológico já está enfraquecido, sente exaustão física e mental, doenças mais graves podem surgir (dependendo da nossa predisposição genética). Essas doenças são tanto fisiológicas quanto psicológicas: ansiedade, depressão, Síndrome de Burnout, Síndrome de Pânico, hipertensão arterial, úlceras, seborreia, etc. Aqui a pessoa dificilmente conseguirá trabalhar ou ser socialmente ativa.

O estresse então afeta a vida pessoal e profissional. No lado profissional, por exemplo, pode diminuir produtividade, eficiência, aumentar o risco de acidentes de trabalho, aumentar a frequência de atrasos, faltas (por motivos médicos e psicológicos), aposentadoria precoce e até ações judiciais.

E uma das formas como o estresse nos afeta é pela liberação de hormônios, como adrenalina e cortisol. Eles são liberados para lidarmos com situações de “luta ou fuga”. Isso funciona muito bem quando enfrentamos um perigo físico imediato (um assalto, uma onça, um quase acidente…). É algo tão sério que, em quem já tem Diabetes e usa insulina, o estresse pode aumentar a glicemia.

Mas em nossas vidas criamos outros estressores, como: “o que será que ela vai pensar de mim?”, “nossa, amanhã tenho que lidar com meu chefe”. O problema surge porque a resposta fisiológica é semelhante de quando você enfrenta uma onça. Somos programados para responder ao estresse, não a cada estressor (chefe, assalto, cobra…) de forma diferente. Agora imagine quantos estressores tem no seu dia, na sua vida hoje?

Contas, filhos pra cuidar, serviço que não te satisfaz, chefe que você não sabe lidar, trânsito, falta de sono adequado, preocupação com o futuro, remoer o seu dia e pensar no que poderia ter feito diferente, o peso que quer perder, provas, concursos, falta de emprego…

Mas então, como lidar com o estresse??

Em primeiro lugar, descobrir a causa, a fonte de estresse. Sem isso não tem como fazer alguma intervenção. Lembre-se que o estresse é uma resposta difusa, então definindo sua fonte, é possível estabelecer um objetivo claro e bem definido para lidar com o estressor.
Você pode (e eu recomendo) procurar um psicólogo para te ajudar. Caso escolha um da Terapia Cognitivo-Comportamental, poderá trabalhar diversas habilidades para lidar com o estresse, algumas delas são apontadas por Lipp, em seu treino de controle de estresse, são:

  • Reconhecer seus limites e não ir além,
  • Entender as fontes internas de estresse (como você funciona e como isso afeta as pessoas ao seu redor),
  • Desenvolver estratégias para lidar com estressores no trabalho e na vida pessoal,
  • Treinar assertividade (como expressar melhor sentimentos, desejos e aprender a dizer não quando necessário),

Eu ainda acrescentaria alimentar-se bem e praticar exercícios. E mais um método, que é simples, barato, fácil de fazer e que não custa nada. Na verdade, a maior dificuldade dele é que exige paciência e persistência para aprender. Mas promove excelentes resultados a médio e longo prazo: Meditação. Meditar é um processo simples que será trabalhado em outro texto.

Mas então o estresse só faz mal e prejudica minha vida e meu trabalho?

Sim e Não. Quando algum estressor surge, você se prepara, se planeja para lidar contra ele. Isso é bom, você gasta energia física e se prepara psicologicamente para resolver a situação. O problema surge quando você não tem preparação, não tem habilidades para lidar com o estressor. Ou os estressores são tantos que você não consegue lidar com eles. Daí surgem os problemas.
Um exemplo de que o estresse é ruim, mas não necessariamente afeta sua vontade largar o trabalho, é uma pesquisa que mostrou que profissionais da saúde mental, apesar de “estressados”, 72% estão realizados com o trabalho.

Para finalizar, algumas das profissões mais estressantes são: policial, bombeiro, professor (ensino básico e médio), profissionais da saúde, advogados, operador de telemarketing.

Então se cuide, identifique o que te estressa, monte um plano de ação para lidar com isso. Se não conseguir, procure ajuda profissional, não deixe sua qualidade de vida e nem sua saúde em risco.

Também assista essa reportagem do Jornal Hoje para se informar mais:


Leia Mais:

Imagens: Sobre Budismo – Estresse, Psiquiatra em Curitiba – 4 fases do estresse, Hora do Treino – estresse diário.


  1. Artigo: Diferença em nível de stress em duas amostras: capital e interior do estado de São Paulo, de Eliana Aparecida Torrezan da Silva e Alessandra Martinez, publicado na revista Estudos de Psicologia

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