Qual a cor? A ilusão da cor do tênis

Tênis com ilusão de ótica – verde e cinza ou rosa e branco

Bruno Marinho de Sousa

A cor do tênis e as ilusões que viralizam

Em 2015 as pessoas na internet debateram a cor de um vestido: era preto e branco ou azul e dourado? Em 2017 veio outra imagem, a de um tênis. E agora em 2019 essa mesma imagem do tênis voltou a gerar polêmica. Nesse texto vou explicar um pouco sobre esse tipo de ilusão e umas explicações fantasiosas sobre seu motivo.

tenis
Imagem: TechTudo

A imagem do tênis é essa aí de cima. Agora vem a parte interessante. As pessoas viram cores diferentes ao olhar a mesma imagem. No Instagram do site (@psicologiacatalao) eu fiz uma rápida pesquisa e as pessoas relataram que viram o tênis nas seguintes cores: verde esverdeado, cinza e verde, verde fluorescente, cinza com detalhes e cadarço azul marinho e rosa e azul.

Confesso que fiquei surpreso. Eu vejo o tênis verde com cinza. Minha imaginação nem consegue imaginar essas outras cores ali. Mas por que será que uma mesma imagem provoca tantas percepções de cores diferentes??

A Psicologia da percepção visual

Antes de responder isso, é importante saber que:

“As sensações cromáticas são efeitos totalmente subjetivos produzidos pela luz refletida de certos comprimentos de onda do espectro visível sobre o sistema nervoso” (Schiffman, 2005, p. 85).

Em outras palavras, para “vermos” as coisas e suas cores precisamos de luz, que é uma energia eletromagnética que pode ser produzida (ex. Sol, fogo) e refletida por outros objetos (ex. papel, parede). Nosso olho vai captar essa luz, transformá-la em impulso nervoso e enviá-la até o cérebro para ser processada. Assim, a visão de cores depende de como nosso cérebro irá interpretar essa energia, bem como do contexto em que estão inseridas.

Leia mais: Por que vemos o mundo de maneiras diferentes?

Um ponto bastante importante na percepção de cores é que ela depende do contexto em que os objetos estão inseridos. Conforme apontou o professor Dr. Leonardo Gomes Bernardino (Psicologia, UFU) para esse site:

“A percepção de cor é uma construção do cérebro. Não existe cor a priori. E a cor é dependente do contexto. Cada cérebro interpreta a iluminação ao redor de uma maneira, por isso dá diferença. E nessa história do contexto, envolve também a iluminação do celular. Por isso pode dar diferença entre um e outro”.

Dessa forma, as diferentes nuances de cores percebidas na imagem dependerá da tela onde a imagem foi vista e de como seu cérebro irá entender esse contexto. Somente após isso você terá sua percepção subjetiva de cor. Abaixo você pode ver as duas principais “cores” vistas no tênis:

Tênis com ilusão de ótica – verde e cinza ou rosa e branco
Fonte da imagem: HuffPostBrasil
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Em algumas explicações as pessoas estão complicando muito, apontando que: “pessoas com dominância do lado esquerdo do cérebro enxergam tênis cinza e verde“. Isso não faz sentido, é querer usar a Neuromania da Neurobobagem. Para se explicar um fenômeno pelos hemisférios (“lados”) cerebrais é necessário todo um protocolo experimental (isolar a imagem, a forma de apresentação dessa imagem, o tempo de exposição da imagem, a localização da imagem na tela e etc. ).

quiasma
Imagem: blogPercepto

Olhando a imagem anterior você percebe algo simples: ao ler esse texto, ou olhar a imagem do tênis, seus olhos fizeram uma varredura no ambiente, enviando informações para ambos os hemisférios e eles se comunicaram via corpo caloso (uma “ponte” entre eles). O protocolo é importante para isolar a imagem para que a informação visual seja processada por um dos hemisférios. Mas mesmo assim, é complicado afirmar isso, pois os hemisférios se comunicam o tempo todo pelo corpo caloso.

Dessa forma, atribuir explicações sobre hemisférios cerebrais só é plausível se for respeitado as condições mínimas para se garantir que a informação chegou apenas a um deles.

Ainda quer acreditar na explicação da Neurobobagem e não no poder do contexto? Então assista o vídeo abaixo e tire suas próprias conclusões:


Dr. Bruno Solano

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Referência:
Schiffman, H. R. (2004). Sensação E Percepção . Grupo Gen-LTC.


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