Dicas para a Quarentena: 11 – É SÓ UMA GRIPEZINHA

Bruno Marinho de Sousa

Vamos aproveitar hoje para falar de história? Em 2018 foi o centenário da pandemia da Gripe Espanhola. Estima-se que ela matou cerca de 5% da população da época e contaminou 500 milhões de pessoas. As gripes que temos hoje são bem mais tranquilas. Tudo porque temos vacinas, nosso organismo aprendeu a lidar com elas. Mas gripe mata ainda. Pouco, mas mata.

Mas o que a Gripe Espanhola tem a nos ensinar sobre o Coronavírus?

Eu vou me pautar num artigo do jornal El País de 2018, com o título: “Mitos que perduram sobre a ‘gripe espanhola’, a maior pandemia da história recente“. O artigo já previa, analisando o passado, o que aconteceria se uma nova pandemia ocorresse. E os paralelos com o cenário atual são impressionantes. Quem gosta de teoria da conspiração irá adorar!

 

gripe espanhola el pais

 

Em primeiro lugar é importante destacar que a pandemia não começou na Espanha. Por ser um país que noticiava a doença, ele ganhou a fama. Outros países não noticiavam, ou minimizam o problema. O que fazia muito sentido no contexto da época porque acontecia a I Guerra Mundial.

A Gripe Espanhola teve ondas de contágio, igual as autoridades de hoje estão avaliando e se preocupando em relação ao coronavírus (covid-19). A segunda onda da Gripe Espanhola foi a mais mortal. Por que?

Hoje em dia, os cientistas acreditam que o pronunciado aumento do número de vítimas mortais na segunda fase foi consequência das condições que favoreceram a proliferação de uma cepa mais mortífera. As pessoas com afecções mais leves ficaram em casa, mas os pacientes mais graves se amontoavam em hospitais e acampamentos, o que intensificou a transmissão de uma variedade mais letal do vírus. (EL PAÍS, 2018).

Algo em comum com a preocupação atual? A História pode nos dar lições valiosas sobre o presente. Em especial como lidar com o coronavírus. Ainda teve mais coisa em comum com os dias atuais. Na época algumas autoridades sem entender e saber lidar com isso indicavam aspirina como o remédio milagroso. E o que aconteceu?

Uma hipótese propõe que muitas mortes por gripe poderiam na verdade ser atribuídas à intoxicação por aspirina. Naquela época, as autoridades médicas recomendavam altas doses desse medicamento, de até 30 gramas por dia. Atualmente, considera-se que quatro gramas por dia são a maior dosagem segura. As doses excessivas de aspirina podem provocar muitos dos sintomas da pandemia, incluindo as hemorragias. (El País, 2018).

Novamente outro paralelo. Pessoas leigas, sem conhecimento adequado sobre ciência, farmacologia, virologia e afins dando pitaco porque acham que sabe a resposta. Que o remédio que não foi, ou está sendo testado, é a cura “mágica”, mesmo sem evidências científicas. Ciência não funciona com achismos. Achismos podem matar até mais que a própria doença…

Outro paralelo importante é que as autoridades da época decretaram censura sobre as notícias relacionadas a pandemia. Hoje não há a censura, mas culpam a imprensa se ser sensacionalista, igual na época.

Quer mais surpresas? Um artigo de 2019, escrito por cientistas de Wuham (de onde surgiu a pandemia) já alertava sobre a possibilidade de um coronavírus… (Leia aqui: Cientistas de Wuhan previram pandemia em março de 2019 | Bruno Garattoni.

 

Aplicação prática:

Qual a moral disso tudo? Vamos respeitar e aprender com a História e a Ciência! Então estude, aprenda, busque fontes confiáveis, de especialistas. Não vou me estender. Já deu pra ter ideia, né? Então leia o artigo que citei. Lembre-se, o artigo do jornal é de 2018! O final do artigo é assim:

Como sociedade, só podemos esperar que tenhamos aprendido suficientemente as lições da pandemia para dominar outra catástrofe mundial como aquela. (El País, 2018).

Também assista ao vídeo do canal Buenas Ideias. É bem didático e explica como foi a epidemia no Brasil. É muito interessante os paralelos, principalmente sobre a mídia estar catastrofizando a situação…

 


Leia mais:

Leia as outras dicas:

Imagem destacada: Gripe Espanhola, Wikipedia.

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