Bruno Marinho de Sousa


As informações nesse texto se aplicam ao atendimento na abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental


Definir um objetivo para a psicoterapia pode ser mais difícil que escolher um psicólogo. Para começar a profissão já é repleta de preconceitos populares (ex.: “ir ao psicólogo pra quê? Não tô doido!”), ainda soma-se a isso o fato da minha classe profissional ter dificuldade em divulgar o seu trabalho. Quando mais divulgação sobre o que faz um psicólogo, menor poderia ser o preconceito.

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Imagem: bphope

Focando na escolha do psicólogo (a), como definir critérios para isso? Como saber se aquele nome que você vê na lista telefônica (ainda se usa isso?), na internet, no cartão, é de um bom profissional?

Bem, infelizmente não dá para saber pelo nome. Então boa parte das pessoas que atendemos chegam meio sem saber quem somos, como trabalhamos e se o que fazemos é “normal”. No meu caso a maioria chega por indicação (outro cliente, médicos e pelo site).

Um bom psicólogo irá te ajudar a entender seu problema (vou chamar assim porque é mais abrangente). Para isso o (a) profissional deverá buscar junto com você as causas do seu problema, as origens, como ele se manteve e se mantém. Ainda, como seu problema afeta sua vida emocionalmente, das pessoas com quem você convive, também como você se vê e aos outros.

Nós estamos mais interessados em como: você funciona, se sente, lida com outros e consigo mesma (o). Por isso muitas vezes o seu diagnóstico não é tão importante quanto parece. O diagnóstico acaba sendo um rótulo para um conjunto de sintomas e apenas mostra o quadro atual de sintomas. O como você funciona é mais importante para nós psicólogos do que o nome que você dá para o seu problema. Existem pessoas com o mesmo diagnóstico que você, mas  ninguém tem o mesmo problema que você.

Por isso nas primeiras sessões nos concentraremos em desenvolver uma compreensão abrangente sobre qual é realmente o problema. Essa compreensão deve fazer sentido para os dois lados e, principalmente, deve ser embasada teoricamente pela Psicologia.

Assim é possível elaborar um Plano de Trabalho (ou projeto terapêutico) em conjunto para lidar com as causas do problema e não apenas dos sintomas. Será estabelecer os objetivos da terapia. Por exemplo, o seu problema não é a depressão, mas sim o que a causa e a mantém – estilo de vida, desequilíbrio neuroquímico, estresse, visão negativa de si e do mundo, fase ruim no relacionamento/emprego, etc. Saber que é depressão (diagnóstico) nos ajuda a entender o quadro de sintomas, mas não diz muito sobre a origem e manutenção do seu problema.

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Imagem: IdealMarketing

Para isso, nós psicólogos iremos fazer uma Análise Funcional do seu Comportamento, ou conceitualização de caso – dependerá da abordagem do psicólogo. Em outras palavras, juntos iremos estabelecer as relações mantenedoras do seu comportamento disfuncional (“problemático”). Esse entendimento do comportamento disfuncional é extremamente importante para mantermos o foco da terapia, a base sobre a qual ela irá ser desenvolvida.

Mas e se eu não souber o meu problema?

Se você não “sabe qual é o problema”, se não tem ideia, não se preocupe. Você sabe que algo está errado, pode sentir um vazio, um desânimo, sensação de estar perdido ou preso. Não importa se não sabe descrever, se não acha as palavras certas.

Aqui entra a capacidade técnica e teórica do profissional. Nós não sabemos qual o problema você tem. Haverá um processo colaborativo e participativo, onde você nos fornecerá informações sobre seu problema e histórico de vida, por outro lado iremos entrar com nosso conhecimento teórico e técnico. O nosso trabalho é identificarmos juntos o seu (s) problema (s) e buscarmos uma nova perspectiva que sozinha (o) você não estava tendo.

Em resumo: ao ir a um psicólogo, avalie se ele está interessado em entender o seu problema junto com você. E não te dar de cara um diagnóstico. Observe se você participa desse processo de entender o seu problema, se vocês dois são capazes de ter uma visão semelhante sobre seu caso.

Essa análise aqui no texto não é uma regra rígida, é apenas uma orientação para você poder entender essa fase do processo psicoterapêutico. Cada psicólogo terá um estilo de trabalho, mas no geral iremos fazer isso nas sessões iniciais.


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2 comentários em “Como o psicólogo te ajuda a entender seu problema?

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