Mindhunter e a Psicologia Criminal

Bruno Marinho de Sousa

A série Mindhunter, da Netflix, é baseada no livro Mindhunter… O Primeiro Caçador de Serial Killers Americano, escrito pelo agente especial John Douglas e Mark Olshaker, Douglas foi um dos pioneiros do estudo das mentes criminosas dentro do Federal Bureau of Investigation (FBI), agência dos Estados Unidos, algo como a Polícia Federal deles.

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A história se passa na década de 1970, época em que Psicologia Criminal estava engatinhando 1. John Douglas, que na série recebeu o nome de Holden Ford, trabalhou por 25 anos nessa área, a criando e a desenvolvendo. A série, assim como o livro, é baseada nas experiências reais do agente especial e outros colaboradores, que buscavam elaborar o perfil psicológico dos assassinos em série.

Para se ter uma ideia do quão seminal era a área, o termo serial killer (assassinos em série) não havia sido cunhado. Eles nem sabiam ainda que existia um padrão de crimes nesse sentido. Então inicialmente os serial killer eram chamados de assassinos em sequência. O termo seria criado por um colaborador de John Douglas, Robert Ressler.

A série tem episódios dirigidos por David Fincher (também é produtor executivo) que já tem uma filmografia baseada nesse tema, como os filmes: Se7en e Zodíaco. Além de Fincher, esse é um tema bastante explorado pela mídia, como nas séries e filmes: Dexter, Silêncio dos Inocentes, Psicose, Psicopata Americano, Monster e etc.

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O que torna a série interessante, do ponto de vista científico, é que ela não mostra o glamour dos assassinos, mas foca no método utilizado para entender a mente criminosa, sua forma de pensar, sua lógica, sua motivação. Por exemplo, em um episódio é abordada a questão se o assassino já nasce criminoso ou se ele pode ser fruto de um ambiente hostil e violento. Claro que isso não é aprofundado na série, mas mostra o quanto ainda se estava em fase inicial de entendimento da área.

mindhunter-netflix2-finalSobre o método, inicialmente foi ideia do agente Holden Ford ir entrevistar um desses serial killers para deixar o criminoso explicar sua visão do que fez. Em, uma das melhores cenas da série, o agente Holden vai até um presídio entrevistar o serial killer Ed Kemper (um gigante de mais de 2 metros e mais de 140 kg). Em certo momento Kemper olha para o agente e diz: “You keep looking at me like a specimen” (“Você continua me olhando como um espécime”, em tradução livre). Em outro ele segura o pescoço do agente e explica como se deve fazer para matar alguém…

A base dos pesquisadores da série é formada por Bill Tench, que liderava a unidade de estudos do comportamento, Holder (que foi encaminhado para trabalhar com ele) e depois entra para a equipe a psicóloga Wendy Carr, que se torna consultora do FBI. Com a equipe formada e trabalhando com objetivos mais embasados cientificamente, as entrevistas vão evoluindo de perguntas inocentes a role-playing, em que o agente entra no jogo dos serial killers para fazer perguntas no mesmo nível que eles entendam.

Outro método é analisar o padrão de funcionamento do serial killer, se ele é organizado, metódico, ou desorganizado e impulsivo. Em outras entrevistas vão usando informações sobre a criação, desenvolvimento, relação com mãe e pai. Durante a série mostra-se como a incipiente área da psicologia criminal vai evoluindo da teoria e sendo usada na prática em alguns momentos, como na solução de alguns crimes.

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Cabe ressaltar que a personagem de Wendy Carr é baseada em Ann Burgess, que foi a psicóloga que realmente trabalhou na equipe. Ela investigou como era relacionado o abuso infantil, delinquência juvenil e a possível gênese de agressor.

Em resumo, a série é bem interessante para quem não quer ver algo sensacionalista, mas sim, como é construída uma área de conhecimento.


Aprenda mais:

Imagens: John Douglas e Mark Olshaker – Inverse, Ed Kemper e agente Holden – Business Insider, agentes Holden e Tench – Netflix

 


  1. A Psicologia Criminal é um ramo da Psicologia Jurídica, em que a teoria ajuda na investigação, interrogatório, etc. 

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