Habilidades Sociais – Fazer e recusar pedidos

Bruno Marinho de Sousa

As pessoas te pedem favores e você sente dificuldade em dizer não? Se é que consegue dizer não… Ou então você tem aquele amigo que sabe fazer algo que te ajudaria muito, mas não sabe pedir. Ou pior, pensa que irá incomodar, sente algo desagradável e nem pede, acreditando na sua imaginação…

Bem, se tem dificuldade em uma ou nas duas coisas, talvez te falte treinar suas Habilidades Sociais (HS). A Terapia Cognitivo-Comportamental trabalha isso durante o processo psicoterapêutico porque a falta de HS pode ser fonte de ansiedade, estresse e até mesmo sintomas depressivos.

Cada interação social pode se tornar fonte de ansiedade, gerando desconforto e levando a pessoa a evitar tais situações. Se a pessoa se acha incapaz de interagir, ela pode se autovaliar de modo negativo, levando a sentimentos de fracasso, incapacidade e etc.

Um dos grandes problemas nas relações interpessoais (familiares, amigos e colegas) e amorosas (namorado/a, marido, esposa e afins) é que temos a imaginação muito boa. Achamos que as pessoas sabem o que queremos e por isso não precisamos pedir. Assim, não pedimos, achamos que as pessoas sabem o que fazer e não fazem porque não se importam conosco.

Charles Xavier

Outro problema é não saber pedir, fazer um pedido vago ou achar que pediu porque insinuou algo (“que blusa bonita, ficaria muito bem com o vestido que vou usar no casamento do meu primo…”). Ainda não temos a capacidade de fazer leitura mental. Então você tem que aprender a ser clara(o) em seu pedido.

“Quem pede um favor, deve um favor”, “se eu pedir algo, a pessoa irá fazer só por obrigação”, “se eu pedir esse favor, Fulano irá achar que sou incompetente”, “Ciclana é muito ocupada para fazer isso para mim”, “agora que fiz isso para o Beltrano, posso pedir aquele favor que já queria”, “se eu não fizer isso, não serei um bom amigo” e etc.

Os pensamentos acima podem surgir na mente das pessoas que querem pedir um favor ou recebem um favor. Note que esses pensamentos parecem regras, leis, que devem ser cumpridas. Mas tais leis existem apenas na cabeça de quem as pensa. A Constituição Brasileira e outras leis não indicam essas obrigatoriedades que são criadas na nossa mente.

Como fazer um pedido?

Não elogie a pessoa antes de fazer um pedido, nem o faça em público. No primeiro caso, pode parecer que elogiou para conseguir o que quer. Como disse no texto Habilidades Sociais – Fazer e receber elogios, elogios devem ser sinceros. No segundo caso, se o fizer em público, pode gerar incômodo, constrangimento ou até certa pressão para a pessoa aceitar seu pedido. Nos dois casos estará faltando Assertividade.

Leia mais sobre Habilidades Sociais:Assertividade

Faça um pedido claro, não enrole, não faça rodeios: “Você poderia me emprestar seu carregador de celular?

Se achar necessário se justificar, economize na explicação: “Eu estou tentando formatar o texto do meu blog, mas não estou conseguindo. Como você já mexe com isso há muito tempo, poderia me ajudar?

Não precisa esperar o “momento certo”, por exemplo, esperar a pessoa tocar no assunto ou criar um contexto: “tava olhando seu Facebook e vi que foi pro Uruguai, tenho muita vontade de ir lá. Como que foi? …minutos depois: …poderia me dizer como se organizou?

Aceite o NÃO. A pessoa tem o direito de recusar seu pedido. Não leve isso para o lado pessoal, como falta de respeito ou consideração. Se pediu, existe a possibilidade do não!

Como recusar pedidos?

Na minha experiência pessoal, acadêmica e clínica percebo o quanto é difícil para mim e para os outros dizerem não a pedidos, desde simples até os complexos. Não somos treinados, não aprendemos a fazer isso. Criamos nossas regras com base na nossa família, amigos e cultura em que vivemos. Muitas vezes não queremos, mas essa “força” nos faz aceitar pedidos que não queríamos fazer.

Dizer Não é algo difícil de começar, mas com o tempo aprendemos. A vantagem de aprender dizer não é respeitar nosso direito e nossas vontades. Evita remoer o “por que eu fui aceitar isso?”. E, até mesmo, a garantir nossa segurança e bem-estar.

Antes de recusar, tenha certeza se entendeu o pedido. A pessoa pode te pedir uma coisa e você entender outra:

O Pedido: –Você pode me dar uma carona para a rodoviária, vou para Uberlândia no feriado.

O que Entendeu: –Você pode me levar para Uberlândia no feriado?

Sei que parece bobo, mas a confusão acontece e acontecerá. Então, tenha certeza se entendeu ou não o pedido. Reformule o pedido nas suas palavras e pergunte se é isso mesmo: “você quer que eu te leve para Uberlândia?

Ao recusar um pedido a outra pessoa pode ter sentimentos diversos: frustração, raiva, tristeza, mágoa e etc. Infelizmente isso não é possível de evitar, pois a pessoa criou uma expectativa ao fazer o pedido. E, se ela não leu esse texto, talvez não saiba que ao fazer um pedido, deve aceitar a recusa…

Para evitar ou diminuir esses sentimentos, você pode explicar o motivo da sua recusa: “eu poderia te levar até a rodoviária, mas no momento estou escrevendo um texto para meu blog”. Essa resposta só vale se você realmente levaria a pessoa em outro momento.

Caso não queira realizar o pedido, não deixe brecha para a pessoa: “ah, então eu te espero terminar”. Se não quer fazer o favor, diga claramente: “não posso/quero te levar na rodoviária”.

Você poderia simplesmente dizer não. Mas na nossa cultura isso pode ser visto como falta de educação. Então se não está disposta(o) a somente dizer não e quer se explicar, faça isso de modo sincero.

Se é um grande pedido, peça tempo para pensar e diga que não tem certeza se poderá fazer. Assim diminuirá a expectativa da pessoa e evitará ou diminuirá os sentimentos negativos associados com a recusa. Isso pode ser muito importante para questões financeiras e pedidos para ser fiador.

Redes Sociais e WhatsApp

A popularização das redes sociais gerou uma situação atípica nas relações interpessoais. Muitas pessoas se sentem na obrigação de responder as pessoas de maneira imediata porque leram a mensagem e o aplicativo alertou isso (por exemplo, ficando com o sinal azul).

O que foi dito acima serve também para isso. Se a pessoa falou com você, não é sua obrigação responder imediatamente porque a outra pessoa “sabe” que você leu.

Respeite o seu tempo, seu direito. Aqui enfatizo o que disse acima, não existem leis que obrigam a resposta imediata, a regra está na sua cabeça.

Se a pessoa reclamar, ou realmente era importante uma resposta rápida, a pessoa ou você pode usar o método DESC para expressar sua insatisfação ou incomodo com isso.


Leia mais:

Fonte das imagens: tsminteractive e MemeGenerator.

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