O que é Inteligência Emocional

Bruno Marinho de Sousa

Nesse texto você sobre Inteligência Emocional você encontrará:
  • Definição do conceito;
  • Origem e Problema com o construto/conceito;
  • Como funciona na prática.

O que é Inteligência Emocional?

O termo esteve e ainda está na moda. Um monte de gente falando, vendendo curso, palestra, livro, texto de blog em Psicologia… Mas a Inteligência Emocional entra na mesma onda da Neuromania da Neurobobagem. Muita gente falando o que acha, mas pouca gente realmente estudando sobre o assunto. Então vamos a uma definição, Inteligência Emocional é:

um conjunto de habilidades com a hipótese de contribuir para a avaliação e expressão precisa da emoção em si e nos outros, na regulação eficaz da emoção em si e nos outros e no uso de sentimentos para motivar, planejar e alcançar na vida de alguém(Salovey, P & Mayer, J D, 1990).

balança cérebro coração

Origem da Inteligência Emocional

O trabalho seminal que gerou a “onda” da Inteligência Emocional foi escrito por Peter Salovey e John D Mayer, em 1990, e se chama: Emotional intelligence. E foi publicado na revista científica: Imagination, Cognition and Personality.

Nesse artigo os autores não criam o conceito, eles o apresentam, explicam o debate sobre emoções e sua função e analisam a Inteligência Social. Ainda apontam formas de se investigar às habilidades relacionadas à emoção, Também revisam os componentes do que seria Inteligência Emocional. A partir desse contexto, avaliam o papel dela na Saúde Mental e caminhos para novos estudos. Leia o artigo clicando aqui: Emotional Intelligence.

Daniel Goleman e a Inteligência Emocional

Muitas pessoas atribuem ao Daniel Goleman a “criação” do conceito a seu livro Inteligência Emocional. O livro é muito bom para você entender e conhecer o assunto. Mas pelo exposto percebe-se que atribuir isso a ele é um erro crasso. O famoso livro dele é de 1995, o artigo de 1990 (fora os outros estudos). Então se tiver num curso qualquer e a pessoa disser que ele criou ou inventou, já sabe que não teve muita pesquisa sobre o assunto…

O problema com a Inteligência Emocional

O problema com a Inteligência Emocional é que ela ficou famosa antes de ter uma boa base científica sólida. A própria definição do construto já é difícil de ser estabelecido. Por isso a Inteligência Emocional fica difícil de ser operacionalizada e testada.

Devido a essa dificuldade, ainda é problemático a criação de um teste ou escala psicométrica validada para inteligência emocional, como existe para a Inteligência “tradicional”. E com base nesse argumento se argumenta que a Inteligência Emocional não é uma construção “real”, mas uma maneira de descrever as habilidades interpessoais que são usadas por outros nomes (por exemplo, habilidades sociais). Leia mais sobre esse assunto clicando aqui: Inteligência emocional: um construto científico?

Mas como a Inteligência Emocional tem um nome bastante apelativo e intuitivo ela caiu no gosto popular, especialmente no ambiente escolar e do mundo dos negócios. O problema com isso é que as pessoas estão falando e fazendo algo com base no que acham (basta olhar alguns vídeos no YouTube). O embasamento científico é zero. Muitos se aproveitam da boa vontade de pais, empreendedores, gestores e etc.

É claro que isso acontece porque o mercado tem necessidade e demanda para trabalhar o nosso lado emocional. Isso é e foi bastante negligenciado pela Psicologia. Por isso abre caminho para pessoas bem intencionadas, mas mal preparadas. Daí surgem as promessas de ser bem sucedido se você tiver Inteligência Emocional. O que vai valer em primeiro lugar é sua capacidade técnica para o cargo, lembre-se sempre disso.

A inteligência Emocional na prática

Então Inteligência emocional refere-se à capacidade de processar informações emocionais, permitindo identificar e gerenciar as próprias emoções, bem como as emoções dos outros. Então ela seria formada por três habilidades básicas:

  • consciência emocional (capacidade de identificar e nomear as próprias emoções);
  • capacidade de aproveitar as emoções e utilizá-las para realizar tarefas e solucionar problemas;
  • capacidade de gerenciar emoções (regular as próprias emoções quando necessário e ajudar os outros a fazer o mesmo).

Se você ler o livro de Daniel Goleman, lá ele aponta 5 componentes: autoconsciência, autorregulação, motivação, habilidades sociais e empatia. Os três últimos já amplamente estudados pela Psicologia de forma separada. O que justifica a hipótese de que Inteligência Emocional seja uma maneira de descrever habilidades interpessoais.

Apesar da dificuldade de se definir o construto e criar um teste ou escala psicométrico, o conceito de inteligência emocional (alguns chamam de Quociente Emocional) ganhou ampla aceitação. Alguns estudos chegam a mostrar relação entre Inteligência Emocional e desempenho no trabalho e com a qualidade de vida, mas ainda não há consenso sobre isso.

Nos últimos anos, alguns processo seletivos até incorporaram testes de Inteligência Emocional em seus processos de seleção, baseado na hipótese de que alguém com inteligência emocional seria um líder ou colega de trabalho melhor (será?).

O que significa ser emocionalmente inteligente?

Baseado no que disse aqui e no que os estudos apontam, uma pessoa Emocionalmente Inteligente seria alguém consciente de suas próprias emoções (raiva, tristeza, alegria…), sendo capaz de identificá-las, gerenciá-las e utilizá-las em benefício próprio. Ainda, conseguiria ajudar outras pessoas a lidarem melhor com situações diversas, lidando melhor com seus relacionamentos.

coração e cérebro conectados
Imagem: enterprisersproject

Muitos desses elementos estão envolvidos em outras práticas da Psicologia e da Terapia Cognitivo-Comportamental, como Empatia (se colocar no lugar dos outros), Assertividade (respeitar seus direitos e dos outros), bem como Regulação Emocional.

Então as pessoas Emocionalmente Inteligentes estão em sintonia e buscando a harmonia com suas emoções. E por isso elas podem fazer uma leitura melhor do ambiente, das pessoas, podendo ser um colega de trabalho, um pai, uma mãe, um (a) parceiro (a) melhor.

Independente de qualquer discussão acadêmica, nossas habilidades para lidar com as Emoções podem ser treinadas. Por isso, Medite, Leia, Pratique Exercícios, Cultive bons relacionamentos, faça Psicoterapia e aprenda a se conhecer mais, a ouvir mais o que está sentindo a cada momento.

Para te ajudar, experimente esse exercício várias vezes ao dia, tanto em momentos bons ou ruins:

  1. Quais sensações físicas estou sentindo no meu corpo agora? (Testa tensa, peito apertado, etc.);
  2. Por que estou assim? (A fila não anda, trabalho pra entregar, filme bom, etc.)
  3. O que estou sentindo está adequado ao ambiente físico? (Se o lugar está silencioso,  tranquilo e você com ansiedade, então não está adequado; se está tranquilo no sofá e a casa está tranquila, então está adequado).

Com a prática desse exercício você passará a ter mais consciência corporal e do ambiente, que são componentes da Inteligência Emocional.


Leia mais:

Compre o livro Inteligência Emocional, Daniel Goleman, na Amazon.

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